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Empreendedores - Escritor Anônimo expõe a realidade do ecossistema brasileiro de startups
Empreendedores (Publicado em: quarta, 28 de agosto de 2019 )

Escritor Anônimo expõe a realidade do ecossistema brasileiro de startups

Em seu novo livro, escritor anônimo que ganhou projeção no Twitter expondo a vida dura nas startups, fala sobre os efeitos colaterais da cultura de eficiência do empreendedorismo atual
Em seu novo livro, escritor anônimo que ganhou projeção no Twitter expondo a vida dura nas startups, fala sobre os efeitos colaterais da cultura de eficiência do empreendedorismo atual.


Sob o pseudônimo “Startup da Real”, ele que não revela o seu nome, apenas a idade (34 anos), trouxe um olhar mais verdadeiro sobre o ecossistema empreendedor brasileiro. Seu perfil no Twitter possui pouco mais de 40 mil seguidores (no Instagram são quase 20 mil) e nasceu com o propósito de provocar um amigo, adepto dos gurus de gestão e de frases de efeito sobre sucesso. O que começou com brincadeira se tornou sério, depois que seus posts começaram a impactar mais e mais gente.  


No ano passado, ele lançou o livro "Este Livro Não Vai Te Deixar Rico", que se tornou o ebook de empreendedorismo mais vendido por várias semanas no site da Amazon. Nesta entrevista a Startse, ele fala sobre o novo livro, que tem previsão de lançamento para setembro, pela editora Planeta.  

Seu primeiro livro "Este Livro Não Vai Te Deixar Rico" se tornou o ebook de empreendedorismo mais vendido da Amazon. O que acha que mais atraiu o olhar das pessoas?

A ausência de paixão ao falar de empreendedorismo atraiu um público acostumado com discursos enfeitados. Muito do que é abordado no livro não é segredo para ninguém, mas são visões que foram sendo escondidas ao longo dos últimos anos e que muita gente precisou perder dinheiro e enfrentar problemas familiares para descobrir que existem. Tratar empreendedorismo como uma relação de risco e não como a busca por sonhos e realização pessoal é algo que as pessoas não tinham visto ainda.  

Você toca em temas bastante sensíveis. Já sofreu alguma ameaça ou processo?

No começo ameaças eram mais comuns. Quando levantei um questionário nacional sobre o trabalho nas startups, muitas empresas sentiram-se atacadas e vieram me atacar. Hoje em dia os temas que abordo, mesmo sensíveis, acabam não soando como um ataque direto. Ninguém chegou a me processar de verdade. 

Neste segundo livro, o que teremos de novo?

Este segundo livro é uma ampliação do conteúdo anterior. É a segunda edição revisada e ampliada do material que já havia sido publicado. São 5 capítulos inéditos que abordam alguns outros temas que estão começando a ser debatidos com mais seriedade. Abordo temas como educação financeira para população baixa renda, dificuldade das mulheres no empreendedorismo e meritocracia. Acho que o mais importante que os novos capítulos trazem é a estrutura que nos ajuda a navegar entre discursos polarizados, encontrando a razão no meio de discursos apaixonados. 

Acha que os "startupeiros" idealizam muito a realidade do mercado? Qual a sua principal crítica ao ecossistema? 

Os startupeiros idealizam o mercado, o processo de criação da empresa e as demandas de manter um negócio rodando. Com todos os livros de empreendedorismo vendendo a atividade como um grande sonho, uma forma de alcançar tudo de positivo na vida, as pessoas abordam o tema com um otimismo exagerado e perigoso.

O que você acha das jornadas de trabalho sem fim como caminho inequívoco até os bilhões na conta bancária, pregada por alguns empreendedores?

Um dos grandes efeitos colaterais da cultura moderna de empreendedorismo é a responsabilização do indivíduo pelo seu sucesso ou fracasso. Elimina-se todos os fatores externos e fazem acreditar que tudo depende apenas do próprio esforço individual. Essa crença gera o estímulo para pessoas esquecerem que descanso e ritmo são importantes para um negócio funcionar bem. Na busca por um suposto sucesso, as pessoas acabam exagerando nas rotinas e desenvolvendo diversas doenças como depressão e burnout, que mais na frente são um dos fatores que fazem o negócio e a vida profissional saírem dos trilhos.

Qual o futuro do Startup da Real? Pensa em deixar de ser anônimo um dia? Qual o seu principal objetivo?

Muito difícil saber sobre o futuro. Tenho que esperar o lançamento do livro pela Editora Planeta para entender um pouco do impacto e decidir algumas direções. Por agora existe a ideia de um segundo livro, mas ainda sem muitos detalhes. Não sei se o perfil deixará de ser anônimo. Acho que isso garante uma boa separação da minha vida pessoal e do trabalho como Startup da Real.  Sobre objetivos, não tenho um objetivo claro. Assim como tudo começou sendo uma brincadeira, sigo vendo onde podemos chegar.

Beatriz Bevilaqua
Jornalista, comunicadora de startups e apaixonada por tecnologia.
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